Cerca No Meio Do Caminho


       No meio do caminho  tinha uma cerca, tinha uma cerca no meio do caminho. Se fosse uma pedra, teria sido muito pior. A neve que cobriu a cerca, as frestas que deixam aparecer o fundo como se fosse um padrão, o conjunto da obra fez uma camuflagem perfeita para a cerca não ser vista. Tomar um  tombo de bicicleta faz parte daquelas experiências desagradáveis que, mais cedo ou mais tarde, todos passam. Basta uma fração de segundos e você está no chão, primeiro  se preocupa com a vergonha de cair em público, depois com os arranhões. Será que alguém viu o tombo?. Se tiver que cair, que seja numa rua onde ninguém nos conhece. Certa vez eu andava de bicicleta no começo da noite, verão, bem agradável mesmo, então, acabou a força no bairro, sabe-se lá o motivo da falta de energia, eu só via os faróis de alguns carros, o mais segura era voltar para casa, enquanto voltava, de repente, o pneu afundou no asfalto, coisa de além da imaginação, às vezes, quando ouço a expressão: “fiquei sem chão”, eu lembro deste dia. O que houve foi que estava sendo feito um reparo num pequeno trecho da rua e o pneu afundou no barro, com meia roda afundada no barro, rapidamente, desci da bicicleta, também senti os pés afundarem, nesta hora pareceu um filme de terror,  uma luz de carro iluminou o cavalete de obras, foi tudo em segundos, puxei a bicicleta até sentir asfalto firme novamente, subi na bike e voltei para casa. Com todas as ruas asfaltadas, meus pais se perguntaram com eu tinha conseguido vir com barro nas rodas e tênis. A vantagem foi que eu não caí, nem ninguém viu isto acontecer, mas, foi um daqueles dias estranhos, o dia que o asfalto virou barro. Com relação a foto deste post, eu não descarto que a foto seja forjada, aliás, aposto que é forjada, ficou parecendo também desenho animado. Ficou a silhueta do corpo impressa na cerca, ser arremessado de braços abertos contra uma cerca ou muro é típico de desenho animado.  Quando se vai impactar contra alto a tendência e por as mãos juntas a frente, tentando minimizar a batida ou tentar proteger a cabeça com as mãos, não abraçar a parede.  Se fosse real, pelo menos, o gelo ajudaria aliviar a dor, basta ficar ali deitado  um tempo, pensando na vida, aguentando a dor.