Relógio De Parede, Horas Inteiras e Quebradas

          Um relógio de parede partido, praticamente, metade do mostrador foi perdido, como a parte do motor do relógio ficou funcional, bastou escrever os números restantes na parede, para o relógio voltar a dar as horas, mas, também funcionária, sem estes números riscados na parede, apenas usando a simetria: 11,1; 10,2; 9,3, seria possível adivinhar as horas, há relógios cujo design consiste em adivinhar as horas, num tipo de mostrador intuitivo, até sem números. Imagine se o dono deste relógio muda de casa, quem vier morar na casa vai tentar entender o que são estes números escritos na parede. Por que será que o número 7 foi esquecido?. Horas cheias no mostrador quebrado. Relógio na parede que não para, mesmo partido, de marcar as horas. O que será que houve com a outra parte?. Pode até ser considerada uma instalação artística, uma obra artística, não chega a ser o relógio derretido do pintor Surrealista, Salvador Dalí ( A Persistência da Memória), mas seria o tempo perdido, a hora de mudança, a hora de procurar algo que falta, o tempo marcado fora do relógio. Se fosse eu que tivesse criado, chamaria de: "Relógio Interrompido". A hora da partida, da despedida, é sempre triste, num relógio partido, mais triste ainda. Pode ser que este relógio, depois de partido, acidental ou intencionalmente, tenha sido jogado fora, alguém o pegou, pôs uma pilha, só para ver se funcionaria, um relógio tão persistente assim merece ficar na parede.  A Persistência Do Tempo, poderia intitular outra obra de Salvador Dalí. Não se pode matar o tempo, apenas destruir os instrumentos usados para cronometrá-lo, tudo em vão, nem que houvesse uma conspiração de todos os relógios do mundo, o tempo sequer notaria. No momento da concepção até a morte, tudo é tempo, 9 meses para nascer, (se não for prematuro), pouco mais de 100 anos de vida, a expectativa de vida vem aumentando, os avanços na medicina, o ser humano do futuro, sem dúvida, passará dos 150, se este futuro for um pouco mais distante, muito mais que isto. Ao final de tudo, é o tempo que vai matando tudo e todos, sutilmente, tempo de vida de um ser humano, tempo de vida de uma mariposa. Einstein disse: "o tempo é relativo", viajando a velocidades próximas à da luz, o tempo passa mais devagar, enquanto o ser humano ainda não conseguir alcançar estas velocidades, continuará a ser submetido aos caprichos do tempo. Mas, para as pessoas que não usarão tais velocidades para ludibriar o tempo, restam os avanços futuros no retardamento do envelhecimento, o sonho seria que alguém que tem cronologicamente 60 anos, mas, aparentemente, fisiologicamente, teria uma idade, aparentaria ter 30 anos. O ser humano continuará na incansável busca da fonte da juventude, da vida eterna, pelo menos, como dizia o poeta, eterna enquanto dure.