Letra De Música, Se Odiando Por Saber


       Por mais eclético que se seja, sempre haverá uma música da qual não gostamos, os motivos podem ser os mais diversos, até mesmo inexplicáveis. Provavelmente, essa música será executada, não no sentido de ser morta, mas no sentido de ser tocada, o mais alto possível e num momento que você está passando na rua, sempre de surpresa, e não é o tipo de surpresa agradável, pelo contrário.  Do mesmo modo, quando passam aqueles carros de madrugada com o sol no último, nunca passou um deles tocando a música da minha banda preferida. Ele vai incomodando por onde passa, não compensa reclamar, porque ele já vai embora mesmo. Outro fato curioso, seu vizinho dificilmente vai tocar seu estilo preferido de música. Caso você esteja tirando um cochilo de Domingo, e passar um vendedor de algodão doce buzinando ou fazendo barulho com aquela traquitana, adivinha onde ele vai dar uma parada estratégica para acionar a traquitana em velocidade e barulho máximos?. Eu não tenho nada contra vendedores de algodão doce, sorveteiros ou caminhão da pamonha, inclusive, quando era criança, a maior alegria era quando passavam na minha rua. Porém, quando um deles para em frente ao portão e grita desesperadamente, como se a gente tivesse pedido entrega em domicílio, em pleno domingo de manhã, não é muito engraçado. Por sorte, esses acontecimentos são raros. No meu caso, o vendedor de algodão doce foi por três Domingos seguidos, não é de propósito, é verdade, mas acontece. A explicação era lógica, nas casas vizinhas havia consumidores potencias de algodão doce, havia um público consumidor infantil. A tal traquitana, que era acionada, fazia um som de metralhadora, pelo menos parecido com as dos filmes, possivelmente, algum veterano de guerra que a ouvisse teria uma crise de estresse pós-traumático, não seria nada recomendável um vendedor de algodão doce passar com uma dessas perto da casa do Rambo. Voltando ao post, claro que eu sou favorável a existência de qualquer estilo musical, mesmo aquele que eu odeio, respeitar as diferenças, e os gostos musicais é o melhor caminho.  Os conflitos ocorrem quando as pessoas parecem querer forçar as outras a ouvir seu gosto musical no último volume. O  curioso é que nosso cérebro, que deveria estar do nosso lado, bloqueando e ignorando as músicas das quais não gostamos, decora a letra de algumas, contra nossa vontade. Pode ser que a música tenha alguma métrica ou melodia que o agrada, independente do significado da letra. Pode até ser que tentando usar psicologia reversa, dizendo para ele não memorizar a letra, ele aja rebeldemente, decorando-a. Tem mesmo aquelas músicas chicletes, que odiamos,  mas que a letra fica grudada mesmo. Tentaremos entender e decifrar essa rebeldia do cérebro, o critério que ele usou para decorar a letra da música que não gostamos, chegando a um resultado inconclusivo ou pondo a culpa na métrica ou melodia da música. Não queremos lembrar, mas lembramos. Por que nos lembramos de certos acontecimentos insignificantes que deveríamos esquecer?. Quando não queremos nos lembrar de algo, lembramos. Odiando a si mesmo por saber a letra de uma música que não gostamos. Na verdade queremos dizer: “Cérebro!. Por que você decorou essa música que não gosto?. Depois a música acaba, e fazemos as pazes com ele, até a próxima música ser decorada, claro, não por nós, mas por ele.