Filosofando Sobre a Expectativa de Vida

        Esse cartum, de Alex Gregory, que eu traduzi, o homem das cavernas filosofando, certamente, quem está fazendo a reflexão é aquele que está com o queixo apoiado na mão. O cartum não é a respeito do mito ou “Alegoria” da caverna de Platão. Trata da expectativa de vida, longevidade curta dos homens das cavernas, que se lascavam, assim como as pedras que eles lascavam, isso não era uma reação em cadeia, nem efeito colateral, nem causa-feito, era uma dura coincidência, dura como pedra. Vivendo em condições adversas, tendo que caçar, também sendo caçado, coletar, exposto às mais variadas doenças e riscos, chegar aos trinta anos devia ser uma façanha. Dificilmente, os homens e mulheres das cavernas tiveram a crise dos trina anos, poucas mulheres se tornaram balzaquianas, mulheres de 30 anos, poucos homens se tornaram trintões. Alguns sortudos, muito sortudos(as), excediam os trinta e poucos anos, mas chegar a terceira idade, devia ser uma missão quase impossível. Posteriormente, na Idade Média, a expectativa de vida era de cerca de 35 anos. Trabalhos insalubres, doenças, guerras, pestes, sujeiras, ou seja, todas as condições favoráveis para a ceifadora de vidas, a morte, agir com eficiência mortal. Aos poucos, servos que chegavam a velhice, ainda eram obrigados a prestar as tributações feudais, uma das muitas era a corveia, isto é, trabalhos, reparos, construções nas terras do senhor feudal. Não bastasse isso, ainda havia a maior das humilhações, quando o servo se casava, era o senhor feudal que passava a primeira noite da lua de mel com a esposa do servo, “jus primae noctis”, que em latim significava: direito à primeira noite.  A revolta contra essa abominação é retratada no filme de Mel Gibson, Coração Valente. Voltando a expectativa de vida, sem dúvida nenhuma, a medicina, remédios, vacinas, saneamento básico, alimentação saudável e, posteriormente, a descoberta da penicilina por Alexander Fleming aumentou a expectativa de vida.  Atualmente, no Brasil, segundo o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros é de 72,7 anos, porém, regionalmente, esse indicador social varia. A causa dessa variação deve-se ao grau de desenvolvimento de determinado estado, como era de se supor, nos estados mais desenvolvidos, a expectativa de vida da população é maior. O desafio dos governos é igualar essa expectativa de vida para todos os estados da federação. Espera-se que a igualdade de expectativa de vida da população seja a mesma ou varie muito pouco entre todos os estados da federação, seria a isonomia dos estados perante a expectativa de vida. Se o desenvolvimento econômico, alimentação, saúde, acesso a tratamentos modernos (quando há vagas no atendimento), vacinas, remédios aumentam a expectativa de vida, por outro lado, a violência, estresse, poluição, má alimentação, vida sedentária, produtos com agrotóxicos, água não potável e falta de saneamento básico (em algumas regiões) transformam o aumento da expectativa de vida numa certeza de que a vida durará menos, em outras palavras, numa morte diluída ou em terríveis prestações macabras. No cartum, o exercício físico refere-se, claro, a corrida atrás de caça, e, certamente, a corrida da caça. Ainda sem a segurança das cidades, nômades, mesmo morando em cavernas ou construções provisórias rudimentares, por algum tempo, o homem primitivo fazia parte da cadeia alimentar. Depois, o homem ergueu cidades, saiu da cadeia alimentar, mas precisou criar cadeias, para trancafiar as bestas-feras da sua própria espécie. Saiu das cavernas e foi para as tabernas. Fora esse pequeno pessimismo, a expectativa de vida continuará aumentando no decorrer do tempo. Dada a atual expectativa de vida, não seria nenhum exagero falar em quarta idade com qualidade de vida. Por incrível que pareça, no mundo, e no brasil existiam pessoas vivendo em cavernas ou grutas, foram ou são eles: Mário Lúcio Mendes, vulgo Rambo; Francisco Couto, apelido Chico da Pedra; Severino Gomes. Os dados dessas três pessoas são de 2004, do Jornal Folha de S. Paulo - Cotidiano, por Marcelo Bortoloti, free-lance para a Folha*. Seja por falta de moradia ou por uma opção excêntrica, sociedade alternativa da pedra lascada, esses Flintstones brasileiros são ou foram reais. Há aqueles que, apesar de não viveram em cavernas ou grutas, moram em encostas onde os perigos são as chuvas que causam deslizamentos e enxurradas. As Eras Históricas mudam, mas, para alguns, os perigos e adversidades continuam. Os homens e mulheres "modernos" que habitam nas encostas não tem medo das pedras lascadas, mas das pedras que rolam morro abaixo. As pedras que rolam não criam musgo, mas matam pessoas.

*a fonte dos nomes das três pessoas é: [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1807200418.htm]