Paiground, o Pai Balanço.

        Os pais farão de tudo para realizar os desejos dos filhos. Os pedidos de presentes podem ser desde a tradicional bicicleta, videogame, seres do reino da fantasia como unicórnios, viagens à parques de diversão, pôneis. Hoje em dia, os pedidos, e o sonho de consumo giram muito em torno dos dispositivos móveis de última geração, consoles de marcas famosas de videogames. Trazer um Playground para dentro da sala é algo, praticamente, impossível, pelo menos era. A foto do post ilustra bem o grau de sacrifício que um pai pode chegar para realizar o desejo de uma filha, quando digo sacrifício, refiro-me ao atrito da corda contra os ombros, isso causará uma certa assadura na pele. Para ter um balanço, geralmente, é necessário ter um quintal e uma árvore ou uma estrutura em forma de H, a estrutura para fixar o trapézio, ou prendê-lo no teto, como nos aparelhos de academia. Nem  sempre as estruturas da casa aguentam ou foram projetadas para fixar pesos. Num apartamento, por exemplo, é praticamente impossível. Provavelmente, no caso da foto, o playground ficava longe de casa. Criança quando quer alguma coisa, sabe ser convincente e insistente. O pai, que com certeza já foi cavalinho, virou balanço de playground, inventou o suspensório balanço, ao melhor estilo MacGyver. A foto meio borrada da menina prova que o balanço está funcionando perfeitamente. Ela está fazendo o que todos nós já fizemos, quando fomos num balanço de playground, na nossa tenra infância, usando o movimento das pernas para impulsionar mais o balanço, o que causará mais atrito entre a corda e a pele do ombro do pai. Não é só a mãe que padece no paraíso. Difícil será ele explicar para os amigos, naquele fim de semana quente tomando cerveja num bar, de onde são essas marcas vermelhas nos ombros, melhor nem ficar sem camisa. Dizer que foi à praia de suspensórios não vai colar. Quem acreditaria que ele virou o homem balanço de playground?. A ideia foi engenhosa, verdade, criativa, inédita e original, mas muito imprudente. As cadeiras podem deslizar, e ele pode abrir um espacate mortal e dolorido, ao estilo Jean-Claude Van Damme, o Grande Dragão Dolorido. Óbvio, quem está fotografando toda essa imprudência é a mãe. Se a criança não vai até o Playground, graças ao Paiground, o Playground veio até a criança. Na minha opinião, não resta a menor dúvida, ele é o pai do ano. Como disse o pintor francês impressionista, Pierre-Auguste Renoir:  "A dor passa, mas a beleza permanece". Renoir, acometido pelo reumatismo e em idade avançada, pintava sentado, amarrando o pincel aos dedos. No caso da foto:  A dor passa, mas os momentos de alegria permanecerão, ao contrário das marcas de assadura na pele do pai.