A Ciranda do Bolo de Roupas

        Como a internet modificou os hábitos organizacionais da juventude. Essa tirinha MEME, de autoria desconhecida, sintetiza bem o que poderíamos chamar de: A Ciranda do Bolo de Roupas. É difícil saber como foram montadas as camadas desse bolo de roupas, talvez, as mais usadas embaixo, e as mais limpas ou que estão separadas para ser usadas logo, em cima. É possível que todas as roupas estejam usadas, esperando apenas entrarem na máquina de lavar, enquanto isso não acontece,  as roupas descansam de dia e sentam em frente ao computador de noite, ao contrário do dono. Foi uma adaptação ou improvisação prática, enquanto as roupas ficam numa espécie de purgatório, nem podem voltar para o guarda-roupas, nem chegou a hora de serem lavadas, dono e roupas fazem um rodízio. Certamente, a mãe já deve ter perguntado várias vezes: “Tem roupa para lavar?”; “Separa as roupas para lavar”.  Essa solução prática, certamente, já foi  usada por pessoas das diversas faixas etárias e gêneros. É verdade que muitos não deixam juntar o bolo de roupa, cada roupa usada já tem o destino certo no cesto de roupa suja. Não admitem que nada esteja fora do lugar, têm uma disciplina para manter a ordem no caos. Quem já não ouviu falar na “bagunça organizada”, por mais contraditório é paradoxal que pareça, em meio a um caos e desordem, com papéis livros e objetos espalhados, a pessoa sabe exatamente onde está cada item, é produtiva e competente nesse ambiente, que, aos olhos de outros, é uma desordem sem sentido.  Alguns pais de teorias revolucionárias trabalhavam em escritórios, sendo adeptos da bagunça organizada. Os conflitos ocorrem quando os disciplinados e os bagunceiros organizados precisam dividir o mesmo espaço, entre irmãos, isso é um clássico da discórdia, objetos de uso comum na casa são usados e deixados em qualquer lugar, obviamente, o irmão que usa e guarda no mesmo lugar é prejudicado, pois ele tem  que procurar aquilo onde o outro largou em qualquer lugar. Os pais, principalmente as mães, são ótimos em “corrigir” o irmão entrópico, aquele que aumenta o grau de entropia, isto é, desordem no sistema familiar. Um dos meios é transformar um objeto de uso comum em particular, bastando  dar um idêntico para cada irmão, aquele que perder ou não guardar o dele, fica sem usar. Seria muito simples, mas o irmão entrópico pode usar o objeto do outro irmão, e, o pior, ainda perdê-lo. Se o estado natural do universo é a desordem, entropia, não se pode deixar de citar a teoria do caos, a ordem no caos. As pessoas extremante organizadas e disciplinadas tendem a sofrer mais, quer seja entre irmãos, relacionamentos amorosos, no trabalho, o elemento entrópico e o organizado estão sempre em rota de colisão. Aceitar e entender essas diferenças, ser tolerante, é o caminho.