A Camisa Listrada Que é Uma Onda

        Até quem não for fã de camisa listrada, achará criativa essa.  Aqueles  que já tiveram a experiência de lançar uma pedra num lago calmo e ver as propagações das ondas, podem ter lembrando da lancha cortando a água, deixando um rastro ondulatório para trás. A diferença dessa camisa listrada é que a interferência da lancha é nas listras.  É como se a lancha, o desenho dela, interferisse fisicamente nas listras da camisa. São duas dimensões, mas parece até haver vincos, devido à “perturbação” do deslocamento da lancha, a interferência nas sucessivas linhas, ou listras, horizontais. O contraste e a sensação de repouso e movimento ajudam a realçar essa ilusão. Fica a impressão de que, quando a lancha passar, as listras voltarão ao estado no qual estavam, em repouso. As interferências vão enfraquecendo, bem para trás, enquanto as  listras da frente estão intocadas ainda, passando, porém, a impressão que serão em breve atingidas. Esse intervalo, que foi congelado no tempo, cria uma enorme expectativa de movimento.  Se for verdade que as listras nunca saem de moda, essas listras da camisa da foto parece saírem do estado de repouso. Deveria haver uma versão ecológica dessa camisa, com golfinhos, ou outros animais aquáticos livres, provocando as ondulações, as interferência nas listras. Se pensarmos bem, já existe um representante das listras na natureza, o mais famoso, a zebra, que poderia ser chamada de cavalo com roupa listrada, os padrões de listras das zebras são assimétricos, e elas pertencem ao mesmo gênero dos cavalos: Equus.  Aproveitando a ideia de ondas e listras, uma camisa com o encontro das águas de um rio com as águas do oceano, a pororoca, ficaria bem interessante também e muito mais expressiva.  É sempre interessante, quando alguém pega algo que parece definido para sempre, estático, sem interferência e faz uma  intervenção artística, inclusive, conceitual. A simetria das listras é quebrada, há uma perturbação do que era para estar ali, estabelecido. Além da ilusão de ótica, tem um toque de surrealismo. A quebra da expectativa de que as listras são imóveis e retas, apesar de se ter a expectativa de que elas voltam a ser, mas não, até a camisa deixar de existir, ficarão assim. Esse interessante e criativo “incomodo”, essa perturbação das listras, faz essa camisa listrada ser uma experiência visual única, claro, devem existir outras iguais, não creio que seja uma peça única. Colocada ao lado de outras listradas, estáticas, pode trazer a expectativa de esperar a lancha passar. Basta segurar uma mochila na frente da lancha, parecerá  que essas listras “amassadas”, “tortas” como um arame, não fazem sentido nenhum. Será uma camisa para quem gosta de listras, para quem não gosta, ou para quem gosta de listras entortadas em alguns pontos. Seria uma camisa listrada contra o sistema da ordem estabelecida das listras. Tem-se um momento de caos na ordem ou de ordem no caos. Quem concebeu esse ideia pode ter pensado que uma camisa listrada é tão comum. O desafio era colocar uma ilustração, uma imagem nela, um desenho, sem que ele fosse sufocado e preso pelas listras. Simples, quebrando a autoridade ditatorial, listratorial, das listras unidas, ao ponto de, muitas delas,  serem questionadas, enquanto listras. Ele as dobrou. Bom, divagação minha, mas quem não queria ter tido essa ideia. O próximo passo será a etiqueta com algumas das linhas, do código de barras, tortas. Camisa com várias listradas tortas, com lancha, não mancha. Quem já viu uma camisa listrada, ainda não viu todas, aposto que não viu essa da foto.