Romanticaveiras No Titanic, Esqueletonic

        Essa é uma referência àquela famosa cena do filme Titanic. Infelizmente, treze casais escolheram viajar em lua de mel no Titanic. Há filmes e documentários retratando o fim trágico do imponente e luxuoso navio, que carregava a fama de ser impossível de afundar, embora essa afirmação tenha sido posta em dúvida por um especialista, segundo ele, é possível que os figurões da White Star Line (empresa que era responsável pelo navio) e o comandante jamais tenham feito essa afirmação, muito menos tenham dito que: “Nem Deus pode afundar o Titanic”. Não resta dúvida que, se ela foi feita, por quem quer que fosse, essa falsa ideia de que era impossível que o navio afundasse, contribuiu para o relaxamento na segurança.  A beleza certamente veio em primeiro lugar, por questões estéticas, para não enfear o deck, o número de barcos salva-vidas era de apenas 20, enquanto o Titanic tinha capacidade para levar até 64. Essa negligência continuou após o acidente, os barcos salva-vidas não eram preenchidos com a capacidade total de pessoas, fato destacado sempre em filmes e documentários. No fatídico dia, um treinamento de emergência com os passageiros tinha sido agendado, o capital, porém, por algum motivo desconhecido até hoje, resolveu cancelar. Quem poderia imaginar que o mais luxuoso navio já construído fosse afundar na viagem inaugural, mas aconteceu exatamente isso. São tristes coincidências, a começar pelo iceberg que o afundou, calculou-se que o iceberg começou a se formar 1000 A.C. O desastroso encontro com o Titanic aconteceu em 1912. Decorrido todo esse tempo, se o iceberg tivesse sido avistado 30 segundos antes do que foi, o Titanic e os passageiros teriam chegado ao destino deles. O navio foi esplendidamente construído, mas muito do ego e vaidade dos que o conceberam ficou na estrutura do navio, que agonizou por duas horas e quarenta minutos, enquanto a água gelada do Oceano Atlântico, -2° C, matava a maioria dos náufragos, depois de 15 minutos. Não só humanos morreram na tragédia, havia nove cães, dos quais apenas dois sobreviveram. A imponência do Titanic era real, apesar disso, a intenção de impressionar era tanta que foi adicionada uma chaminé a mais, que era cenográfica, ou seja, a quarta chaminé era fake (falsa). Como acontece quase sempre, só depois de uma grande tragédia, medidas de segurança são tomadas. Ninguém nunca mais ousou dizer que um navio jamais afundaria nem que um avião jamais cairia, mesmo que isso não tenha sido dito na história real do Titanic. A superprodução de James Cameron, Titanic, o filme, custou mais que o próprio navio, mas, ao contrário do navio, o filme foi um sucesso mundial e arrecadou um oceano de dinheiro. Pela riqueza de detalhes, tanto cenográficos quanto de computação gráfica, mereceu. Mesmo assim, erros aconteceram, equipamentos que apareceram em cena por segundos, durante a filmagem, erros de continuidade e históricos. Até o público que torcia o nariz para o casal meloso, Jack e Rose (Leonardo DiCaprio, Kate Winslet)  foi em massa para ver os detalhes históricos, foi criada uma grande expectativa em torno do filme, pelo custo envolvido. James Cameron também provou ser um excelente desenhista retratista, todos os desenhos mostrados no filme foram feitos por ele, inclusive, o impressionante desenho da Rose usando o diamante batizado de: Coração do Oceano. Essa versão, da foto do post,  Romanticaveira do Titanic, imortaliza aquela cena do filme, ela fica eternizada, ao estilo: eram duas caveiras que se amavam, com um final infeliz, mas de eterna união. Não farei spoiler (revelações do enredo do filme). Essa cena lembrou-me de uma de uma antigo post, onde também tinha uma cena dos esqueletos de um casal que morreu abraçado, fato verídico, na cidade romana de Pompeia, o casal foi vítima do vulcão Vesúvio, que entrou em erupção e matou cerca de 16 mil habitantes. A lição que deveria ter sido aprendida com o Titanic é que sempre a segurança vem em primeiro lugar, depois vem o luxo e a soberba. Morreram na tragédia cerca de 1,5 mil pessoas. Em 1987, o petroleiro Vector chocou-se com uma balsa, nas Filipinas, número de vítimas fatais: 4,3 mil. No Haiti, em 1993, o barco Neptune naufragou, o total de vítimas da tragédia foi de 1,7 mil mortos. Ninguém lembra desses casos, embora mais pessoas tenham morrido. Um dos motivos que fez o Titanic não ser esquecido, nesses mais de cem anos, é aura do gigantismo, da publicidade (embora se diga que não foi tanta quanto se pensa), da imponência, esse lastro romântico da tentativa do ser humano impor-se e tentar dominar as forças da natureza. Com certeza, o Titanic foi a fantástica e maravilhosa realização da engenharia náutica. O iceberg contra o qual ele se chocou foi a ponta do iceberg do poder da natureza. Desde a terrível tragédia, em 1912, fatos novos surgem até hoje, controvérsias também. Muito do imaginário popular e lendas urbanas, melhor dizendo, lendas náuticas, foram sendo agregadas nesses mais de cem anos. Um capítulo à parte poderia ser escrito: Mitonic, os mitos que envolvem o Titanic. O episódio dos músicos tocando, para tentar acalmar as pessoas (duvidamos que tenha funcionado), enquanto o navio afundava, esse não foi mito, aconteceu mesmo.