Histórias Sobre Telhados

       As claraboias são aberturas envidraçadas, feitas nos tetos, para que a luz natural possa passar e iluminar o ambiente interior. Por que não a usar para poder pregar uma peça ou assustar convidados que vão dormir na casa. Nesse exemplo, toda a criatividade e trabalho foram postos a serviço de uma pegadinha. Seja de noite, seja de dia, um bebê espreitando pela claraboia é uma cena, no mínimo, muito bizarra e assustadora. Ao cair da noite e de madrugada, nem mesmo se pode ter certeza de que seja uma um bebê, tudo que se pode perceber é que há alguém espreitando pela claraboia. Subir no telhado, à noite, não é recomendável, se até de dia se pode sofrer um acidente. Quem já não ouviu barulho no telhado, geralmente, gatos atravessando ou se acasalando, ao fazer barulho em cima das telhas, mas não se pode descartar que seja alguém fugindo da polícia ou planejando um roubo numa casa. Recentemente, um vídeo de um extraterrestre flagrado em cima do telhado, causou polvorosa, até foi noticiado num portal de notícias famoso, mas era um vídeo fake (falso), em seguida, foi descoberto um vídeo do autor explicando como o ET tinha sido "colocado" no telhado com computação gráfica. Vendo essa claraboia, do post, eu lembrei da expressão: “Quem tem telhado de vidro não atira pedra na casa dos outros”. Eu morei numa casa que não tinha o telhado de vidro, mas, literalmente, 4 telhas de vidro, com o mesmo objetivo da claraboia, nesse cômodo o forro era diferente dos demais cômodos, eram madeiras finas, trabalhadas, entrelaçadas para receber a luz que passava através das quatro telhas de vidro, era um cômodo perfeito para cozinha e oficina tipográfica, e, durante os anos, foi destinado para esses dois objetivos. Eu tinha a mania de subir no telhado de casa, sem escadas, pelo muro da casa. Por algum motivo, eu gostava de lugares onde poucas pessoas tinham acesso ou iam, eu via apenas meu pai subindo no telhado e descendo com escada, eu conseguia subir sem escada. Por outra razão que também desconheço, nunca tive medo de altura. Eu gostava também de subir em árvores, as mais altas que encontrava, mas é história para outro post. O forro da casa era também um tipo de sótão, onde meu pai guardava os brinquedos que não usávamos mais. Era um tipo de cápsula do tempo da nossa infância. Eu também subia no forro, escalando uma porta, sem escada, tinha que andar pisando pela madeira do forro, se pisasse no gesso, afundava e caia no chão, e o teto era alto, nunca mais vi uma casa com teto tão alto. Eu me lembro, era muito novo, subi pelo batente da porta, para pegar um canivete que meu pai tinha pendurado lá em cima, justamente para eu não pegar, até ele limar a ponta, eu fiquei mais de um mês pedindo um canivete de presente, meu avô tinha um que usava para descascar laranja. O gesso é um ótimo isolante térmico, por isso era usado no forro da casa, realmente, a casa era fresca no verão e temperatura agradável no inferno, não era apenas a estética. Foi assim, subindo no forro, que descobri uma gata com filhotes lá, e comecei a colocar comida para ela comer. Já que o assunto é telhado, também já cometi a imprudência de subir em telhados de vizinhos atrás de pipas, num telhado de uma fábrica também, eu podia ver o tão alto estava por alguns furos na telha, se eu tivesse caído de lá, com certeza, não estaria escrevendo esse post agora. Por puro milagre, eu nunca quebrei nenhum osso, mas tomei um tombo, passando da minha casa para a da minha tia, subi no muro, segurei no telhado da garagem e a telha quebrou, foi só o susto. Eu cai e fui parar na Brasília (não o Distrito Federal ou teria que usar em Brasília), explico melhor isso na próxima postagem, sei que parece não ter sentido, mas terá. Um outro fato marcante que lembro sobre telhados, ou melhor, lugares altos, foi ter subido no campanário de uma igreja, o caseiro da igreja era conhecido do meu pai, perguntou se queríamos subir no campanário, para termos uma visão panorâmica do bairro. Foi legal esse dia, eu e meu pai fizemos uma tour pelos lugares da igreja que os fiéis não entravam, por ser trancado a chave e porque subir no campanário não fazer parte da missa. Foi uma subida por uma escada de cimento, estreita, sem corrimão, que fazia um zigue-zague, mas a vista foi impressionante. Sempre que eu vejo uma cena de campanário de igreja, seja da primeira ou segunda guerra mundial, ou qualquer cena envolvendo um campanário, lembro-me de que não é todo dia que sobe num campanário de igreja. Certa vez, eu subi no telhado da loja do McDonald's, que minha irmã trabalhava, para colocar uma faixa promocional da loja. Ainda lembrando sobre telhados, lembro de uma história famosa, nessa, infelizmente eu não estava, nem era nascido, nem morava lá, se eu fosse, com certeza, pararia na calçada e olharia para cima, esse fato foi a apresentação surpresa dos Beatles, no telhado, que foi também o último show ao vivo, no dia 30 de janeiro de 1969, e as pessoas, na rua, olhando para cima, e dos prédios vizinhos. Infelizmente, o sonho acabou, mas acabou no topo, no telhado. Do porão do Cavern Club (bar temático inglês, Liverpool, onde os Beatles iniciaram a carreira) para o topo do mundo. Outra banda pode até tocar no topo do Everest, mas ter o mesmo sucesso dos Beatles é outra história. Eu tinha pensado no título do post como: “ O Bebê de Rosemary No Telhado”. Mas, pensando melhor, o título atual define melhor a postagem.