Carteira, Cebola, Choro e Olimpíadas


Chorar ao descascar cebola e, depois de abrir a carteira. A crise político-econômica paralisou o Brasil. Desemprego, dívida, falência de empresas, comércios. Pessimismo, apatia, horizonte sem perspectivas. As Olimpíadas, bom, comento disso mais adianta, mas levantamento de ânimo seria mais importante do que levantamento de peso.

Desânimo, ansiedade, dúvidas. “A crise vai te pegar” virou um bordão para tirar o sono de muitas pessoas que temem o fantasma do desemprego e a diminuição dos ganhos. O dragão da inflação rosnando.

“Dez milhões de desempregados sem ação, pra trás Brasil, salve a Nação! De repente, é aquela corrente descrente, parece que todo Brasil perdeu a mão. Todos ligados na mesma decepção... Tudo é só corrupção”. (Pra Trás Brasil, paródia ao Hino: Pra Frente Brasil da Copa de 70) Melhor do que ganhar copa do mundo e viver na Democracia, a de 70 foi ganha em plena ditadura.

A crise parece o vírus da gripe, foi se alastrando, se já não bastasse o H1N1, e o mosquito da dengue que passou a transmitir Chikungunya e Zika. A saúde e educação estão deploráveis em alguns Estados. Em cidades do Sul do País estava faltando até giz nas escolas.

Houve a tentativa das operadoras de limitar a internet fixa, mas, graças a mobilização, pressão popular e as petições dos internautas, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) voltou atrás e proibiu, por tempo indeterminado, a colocação de limite na internet fixa. Pelo menos, uma boa notícia este ano.

A falta de dinheiro na carteira e de moeda nos bolsos causada pela crise teve outro reflexo curioso. O Banco Central está cunhando menos moedas e imprimindo menos cédulas. Segundo o Banco Central, o dinheiro está faltando, e a produção está sendo diminuída para cortar os custos.

Em tempos de Olimpíadas e falta de dinheiro e emprego, imaginar o Tio Patinhas nadando em moedas, mas não na raia da piscina olímpica, é surreal. Depois do legado da Copa, que foi: 7x1 para a Alemanha, a Blitzkrieg (guerra-relâmpago) futebolística, que deixou a Seleção Brasileira sem reação, investigação de superfaturamento nas arenas, endividamento e falta de manutenção pós-copa, obras inacabadas, qual será o legado que as Olimpíadas deixarão.

De acordo com o comunicado do Comitê Olímpico Internacional, a preparação da Olimpíada não será prejudicada pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Investir em esporte é muito importante, praticar, mais ainda, mas dada a situação do País, seria mais importante investir discretamente em centros de treinamento em várias cidades do que dar um show internacional pirotécnico e passageiro.

O povo brasileiro e os estrangeiros que aqui vivem querem que essa questão se resolva o mais breve possível (180 dias ainda se arrastarão), para a sensação de letargia terminar. Que o Brasil acorde desse pesadelo da paralisia do sono. Mais que ganhar medalhas, o Brasil, Gigante que cochilou, precisa acordar rapidamente e seguir em frente para o futuro de glórias, a as pessoas terem, novamente, esperança no futuro.