Os Mortos-Vivos Do Facebook

    A maioria das pessoas não faz planos para daqui 100 anos, seria um planejamento a longo prazo, longo demais. A estimativa é que, daqui 100 anos, o Facebook tenha cerca de 500 milhões de mortos-vivos que, infelizmente, não irão mais interagir na rede social, mas, terão suas contas ainda lá. Mas, quem garante que o Facebook existirá daqui 100 anos. O Facebook poderia criar uma política para contas inativas, detectando as contas não acessadas, durante um longo período, para depois deletá-las. Eles poderiam, simplesmente, deixá-las lá mesmo, eu preferiria esta opção, ficaria lá como uma lápide virtual. O estranho é que quando algum infortúnio ceifa uma vida no mundo real, a pessoa continua existindo no mundo virtual, ao contrário dos vídeo games, onde você morre no jogo, mas, continua vivo aqui, houve um caso de um jogador que morreu depois de ficar jogando vários dias, sem parar, mas, é exceção. Mensagens deixadas nos perfis de usuários de redes sociais, homenageando-os, prestando condolências, as quais serão lidas pelos familiares, é um gesto muito nobre. Mas, caso a pessoa não queira continuar com seu perfil em alguma rede social, que sua vontade em vida seja deletar sua conta, depois de sua morte, ela mesma pode fazê-lo, indiretamente, claro, talvez ela pudesse fazer isto através da transcomunicação, mas, esta é uma longa história, e que envolve crença,  a solução prática, a qual independe de crença, é usar alguns serviços de sites, os quais podem avisar familiares ou algum amigo que a pessoa confie, para que num eventual falecimento, as senhas de login sejam enviadas a este familiar ou amigo, para que ele possa deletar a conta. Mas, como este site sabe que a pessoa morreu, a pessoa cadastra um e-mail dela, escolhe o período de tempo, que terá que provar que está viva, ela faz isto recebendo um PIN, que o site envia no período de tempo estipulado pela pessoa, o PIN precisa ser enviado de volta ao site, se for a cada seis meses, por exemplo, e o site não receber a resposta, ele manda um alerta, se ainda não houver resposta, o site concluirá que a pessoa morreu, então, enviará, mais tarde, o nome de usuário e senha das redes sociais, ou seja, os dados para o login, para o e-mail do familiar ou amigo, que consta como aquele que deve ser avisado. Pessoas com profissões de alto risco, consequentemente, precisariam de um período de tempo menor, embora, com a atual violência, todos ficamos expostos, sujeitos a estarmos no lugar e hora errados. Há um outro serviço, no qual a pessoa pode enviar um e-mail para daqui 50 anos, este é bom para revelar segredos, num futuro distante, de preferência quando a pessoa não estiver mais aqui, ou dizer o que a pessoa pensa do seu patrão, ou de algum  parente chato, podendo a pessoa desabafar todos seus sentimentos, escolhendo a opção de data de envio para daqui 30, 40, 50 anos, a pessoa já estará aposentada mesmo, ou para revelar aqueles segredos cabeludos, incluindo filhos fora do casamento, adultério com a melhor amiga da mulher, etc. As chamadas cápsulas do tempo, cilindros de aço, nos quais eram colocados jornais do dia, objetos da moda, fotos da época, que  eram enterrados para serem desenterrados, dezenas de anos depois, perderam o sentido, inclusive, há sites nos quais é possível fazer a própria  cápsula do tempo virtual com tudo que é importante deixar para a posteridade, pelo menos o que a pessoa considerava importante para ela, um dia, algum arqueólogo internauta irá encontrá-la, por acaso. Falando em mortos, há casos de mortos, que votaram este ano, mortos recebendo benefícios previdenciários, obviamente, trata-se de vivos se aproveitando dos documentos de mortos, é terrível, que as pessoas nem possam descansar em paz, felizmente,  com o cruzamento de informações, a justiça consegue, na maioria dos casos, descobrir estas fraudes e punir os responsáveis.