Edgar Degas, Bailarina Fluida

       Photoshop nível: profissional. Toda fluidez da água foi usada para moldar a bailarina. Edgar Degas, que ficou conhecido como pintor de bailarinas disse: "Chamam-me o pintor das bailarinas", disse ele com tristeza, "não compreendem que a bailarina é um pretexto para reproduzir o movimento fluido."  Ele foi desenhista, pintor e escultor, embora, alguns o definam com um dos fundadores do movimento impressionista e incentivador das exposições impressionistas, a maioria de suas obras eram feitas dentro de seu ateliê ou ambientes internos, escolas de balé, cabarés, ao contrário dos outros impressionistas que pintavam en plein air (ao ar livre). O que causa controvérsia é que se considerar seu interesse pelos efeitos de luz e sombra, e não seguir os cânones da pintura acadêmica francesa, Degas é um impressionista, mas, se considerarmos  que a maioria da sua arte foi feita dentro de seu ateliê, de memória, o que vai contra a espinha dorsal do movimento impressionista, a pintura ao livre, e livre, Degas não pode ser considerado impressionista. Edgar Degas gostava de pintar com pastel, também conseguia captar claramente o psicológico de seus retratados, o que fica muito claro na pintura: Retrato da Família Bellelli, o casal que aparece é na verdade seus tios, há todo um clima pesado na pintura, como se o Barão  Bellelli estivesse dormindo no sofá por vários dias, sua mulher, Laura,  olha com desdém, como se tivesse descoberto manchas de batom no colarinho do Barão, está muito claro que a pintura não é um comercial de margarina, neste lar não reina a paz nem a harmonia, há assuntos pendentes entre o casal, o tio e tia de Degas, também não ganhariam nenhum Oscar, não conseguiram nem esboçar um sorriso amarelo nem de qualquer outra cor. Pintando em seu ateliê, com iluminação artificial, Degas captou a fugacidade do momento, um momento retido em sua memória, transposto para a tela, antes de cada tela, fazia vários estudos preparatórios, possivelmente, Degas tivesse memória fotográfica, essa parte de sua obra traduzida pelo passageiro, pelo fugaz, aquele instante fugaz, que ele traduzia em pinceladas efêmeras, que se encaixa no movimento impressionista, que o aproxima do impressionismo, tem confundido os historiadores de arte. Talvez um impressionismo caseiro, um impressionismo de ambientes internos, cafés-concertos parisienses. Enquanto seus amigos impressionistas precisavam pintar rápido porque a luz mudava constantemente, Degas controlava a luz artificial das lâmpadas a gás, criando seu próprio impressionismo domesticado, controlado, esmerado e contido dentro de seu ateliê, esta opção de não sair a campo, ao ar livre, afasta-o do impressionismo. A primeira impressão impressionista que Edgar Degas deixou, foi que ele foi impressionista em parte, mas não no todo. Sua parte impressionista impregnada de realismo ou vice-versa, seu apoio, e, ao mesmo tempo independência do impressionismo. Como a própria dualidade onda-partícula da luz, Degas é impressionista-realista, ora sendo impressionista, ora não sendo, depende do que se quer frisar dentro da sua arte. A bailaria fluida, feita no Photoshop, simboliza, na minha opinião, a  busca da fluidez do movimento, que Edgar Degas tanto procurou.