Humanoquim. Um Manequim Mais Humanizado

        Uma das definições de manequim é: um boneco que representa homem ou mulher, feito de variados materiais, usado por artistas, costureiros, estudantes. São também usados para exibir as roupas em vitrines de loja. Essa é uma das definições que se aplicam a foto. Geralmente, eles seguem a proporção áurea, idealizada, têm cara de paisagem ou indiferença. Uma expressão neutra, pois o que realmente interessa é o modelo da roupa aparecer. Não é o que ocorre com dois deles na foto do post. Eles foram humanizados, para ficaram semelhantes às pessoas comuns do dia a dia. O mais interessante é que a pessoa pode se visualizar na roupa, o teste do provador poderia ater ser descartado. O manequim deixa de ser impessoal e passa a ser o reflexo do biótipo da maioria das pessoas, nas diversas formas. Essa inovação, com certeza, traz como consequência uma grande empatia por parte dos consumidores. O ambiente fica mais humano e menos artificial. Sempre que eu vejo um manequim numa loja, lembro do seriado Além da Imaginação, no episódio: “O Manequim”. Quando a loja de departamento fechava,  os manequins masculinos e femininos ganhavam vida e saíam da loja. Foi uma reprise que eu assisti na adolescência, mas, por ser tão surreal, desde então, eu sempre lembro. Se você tiver a oportunidade de assistir a esse episódio, duvido que não imaginará algo parecido, quando passar perto de um manequim de loja. Quando eu fazia um trajeto de ônibus, quase sempre,  o ônibus pegava um sinal vermelho demorado, do lado direito, tinha uma pequena loja de moda, com o manequim de uma mulher loira, nesse tempo ocioso dentro do ônibus, eu lembrava do seriado, desse episódio do manequim. Quando a pequena loja de moda fechava, onde ela ia, o que fazia. Na noite de sábado, quando a loja fechava, ela podia aproveitar o dia seguinte para ir passear no parque, domingo de manhã. Eu a reconheceria com aquela roupa, pensei. Faz meses que ela usa a mesma, era a roupa da estação, claro, depois que o sinal abria, eu não pensava mais nisso, mas que eu a reconheceria se a visse por aí, com certeza. Ainda mais estranho foi o manequim que “trabalhava”. Colocaram um manequim de costas par a rua, numa loja de ferramentas, que, além de vender, afiava ferramentas de corte. Ele tinha uma articulação numa das pernas onde foi posto um motor que simulava que ele estava afiando algo, como se o manequim tivesse acionando o pedal, afiando uma ferramenta no esmiril.  Ele estava vestido com roupas antigas, parecia um imigrante italiano. Uma divulgação muito inteligente, pensei. O motor fazia a perna acionar o pedal, parecia real. Por coincidência, era numa esquina com um sinal de trânsito demorado. Pensei, ficar acionando o pedal do esmiril das 8 às 5 horas da tarde, afiando no esmeril a pedal, não é fácil, até mesmo para um manequim. Devia estar pior que o Carlitos, em Tempos Modernos, replicando o movimento repetitivo, involuntariamente. Assim que o sinal verde aparecia, eu não lembrava mais. Se eu visse um imigrante italiano de boina, perambulando pelo meu bairro, saberia quem era. Como o itinerário do ônibus passava por ambos, a mulher loira manequim e o emigrante italiano manequim, pensei, eles precisam se conhecer. Eu que não ia ser cupido de manequim, mas era engraçado pensar. O que era interessante desse seriado, Além da Imaginação, era a possibilidade de algo extraordinário acontecer, algo surreal, que não podia ser explicado racionalmente. Não sei que fim levou os manequins,  eu me mudei, a mulher loira ainda deve estar lá, com a roupa trocada a cada nova estação do ano.  O imigrante italiano deve ter desenvolvido artrite reumatoide ou LER, lesão por esforço repetitivo, de tanto pedalar aquele esmeril manual. Quanto aos sinais vermelhos de trânsito, eles continuam ficando vermelho, principalmente, quando estamos atrasados ou com pressa, esperando dentro do ônibus. A narrativa inicial, não é a primeira vez que a menciono num post, antes de cada episódio de Além da Imaginação era:


"Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação."