Torcida Gastronômica


        Não se pode falar de programas de culinária, sem citar as pioneiras: Ofélia; Etty Fraser; Palmeirinha (com seu fiel escudeiro Huguinho); Claudete Troiano e Ione Borges, nos idos dos anos 70, Ana Maria Braga; Cátia Fonseca, entre outras. Algumas delas apresentadoras, atrizes e jornalistas que colocaram a mão na massa, literalmente. Já foi a época que os programas de culinária eram comandados, exclusivamente, por mulheres, assim como a época que as mulheres não torciam nem ligavam muito para futebol, ficou para trás. Hoje, não só as mulheres jogam futebol, torcem entusiasticamente, mas também participam de mesas redondas, fazem cobertura esportiva e comentários com muita competência e propriedade. Por outro lado, os homens invadiram os programas de culinária, os chefs de cozinha saíram do anonimato dos restaurantes sofisticados para os programas de culinária. Isso parece ser recente, mas a história prova que não, coube ao italiano, ator, humorista e chef de cozinha, Otelo Zeloni, apresentar o primeiro programa de culinária no Brasil, nos anos 70, tendo um homem no comando do forno e fogão, ele não quebrou nenhum prato, mas quebrou um enorme tabu para a época.  Os mitos de que os homens não sabem cozinhar (alguns não sabem mesmo nem querem aprender, atualmente, isso também vale para as mulheres) e de que as mulheres não compreendem bem a regra do impedimento, parecem estar superados. A igualdade e democracia (na democracia, o Corinthians fez história, com a democracia Corinthiana, nos anos 80)  pelo menos em algumas áreas começam a prevalecer. Alguns estereótipos entre os gêneros masculino e feminino vêm perdendo força: mulher saber cozinhar, e homem saber consertar coisas e entender de eletricidade. A ideia do cartum do post seria de como se comportaria a torcida por um programa de culinária, obviamente, muito do que é dito quando os homens torcem, não poderia ser reproduzido no cartum, xingamentos referentes à mãe do juiz, aos jogadores do próprio time, quando perdem um gol fácil ou dão um passe errado, como xingamentos contra os jogadores do time adversário. Com relação aos programas de culinária, eles são uma verdadeira tortura para aqueles que estão empenhados num regime, atravessando o árido deserto da vontade e sofrimento, nesse caso, as receitas apresentadas são uma verdadeira tentação, um incitamento a um dos sete pecados capitais: a gula. A quebra de expectativa do telespectador acontece quando, depois de participar, com a audiência dele, claro, do  preparo da receita, ele observa, com a boca salivando de vontade, a apresentadora ou apresentador saborear a receita já pronta. Quando essa receita é mostrada naquele horário, depois do almoço e antes da janta, a vontade é aguçada e potencializada ainda mais. Seria fácil mudar de canal, mas, num verdadeiro efeito medusa, a pessoa mesmo sabendo que não bom assistir aquilo, continua a assistir, e o risco de sair do regime aumenta drasticamente. Pode ser um masoquismo gastronômico, mas muitas pessoas nem estão tomando nota dos ingredientes, nem do modo de preparo, mas esperando a receita ficar pronta e imaginando o gosto e sabor (que não são sinônimos), nesse sentido, torcendo para a receita ficar pronta logo, para, enfim, acabar o sofrimento. Embora homens assistam aos programas de culinária e mulheres assistam às partidas de futebol,  torcendo, muitas vezes, tão enfaticamente quanto os homens, a audiência maciça das partidas de futebol ainda é masculina, assim como a dos programas de culinária é feminina. Com  o advento da internet, porém, o monopólio dos programas de culinária que ensinavam a fazer um receita deixou de existir. Qualquer pessoa pode se aventurar a preparar uma receita (e a pôr fogo na cozinha, se algo der errado), desde a mais simples até a mais sofisticada (com exceção do preparo do peixe baiacu, extremamente venenoso, essa aventura gastronômica envolvendo o consumo do baiacu é extremamente radical e pode ser mortal, já fez algumas vítimas fatais, se preparado de forma incorreta, a pessoa vai literalmente para o vinagre, essa iguaria gourmet pode se transformar em "gourmorte",  o  peixe baiacu, chamado no Japão de fugu, é, praticamente, tetrodotoxina de barbatanas, muito mais letal que o cianureto de potássio, também chamado de cápsula do suicídio, usada por nazistas capturados, durante a Segunda Guerra Mundial). Você deve estar pensando, por que os japoneses se aventuram a comer um peixe, que, caso não seja preparado corretamente, pode levar à morte por envenenamento. Uma das respostas: Comer atum é para o fracos!.  Retomando o assunto, para os solteiros por convicção, saber preparar algo para comer, que não seja lanches, é antes de ser um prazer, uma necessidade. Os novos tempos decretaram a extinção da mulher prendada e do homem que conserta tudo em casa, sem generalizar, não é à toa que os pratos pré-prontos, destinados ao micro-ondas, restaurantes, pizzarias e fast foods que entregam em domicílio vêm crescendo, a violência urbana também turbinou esse setor, receber a comida ou prato preferido no conforto do lar, sem ser assaltado em restaurantes e no trajeto de ida e vinda, é muita vantagem. Um dos reflexos da diminuição dos maridos que consertam tudo em casa, foi o surgimento dos serviços de um novo profissional, o tal marido de aluguel, que faz  todos os reparos e consertos na casa, os mesmos que o antigo marido fazia.