Uma Pequena Lembrança

        A venda de souvernirs, lembranças personalizadas, movimenta quantias em dinheiro tão grandes quanto os monumentos e esculturas que elas representam. As lembrancinhas fazem a alegria dos turistas e comerciantes. É uma lembrança que o turista guarda para sempre, uma ligação afetiva com aquele lugar que ele visitou, muitas vezes, uma viagem dos sonhos  que dificilmente voltará a acontecer.  Além das fotos, das selfies, em muitos países, o turista leva para casa miniaturas, as quais são feitas  dos mais diversos materiais, essas reproduções representam símbolos da cultura do país visitado, muitas vezes, os símbolos são regionais, mas também representam o Brasil no exterior,  por exemplo,  o  Cristo Redentor.  Para os turistas estrangeiros,  a lembrança é dupla, primeiro do Brasil como país, segundo, como lembrança da região ou regiões que foram visitadas.  A montagem da foto do post mostra o que aconteceria,  se as pessoas pudessem ou conseguissem trazer um souvenir de verdade, por exemplo, um dos moais da Ilha de Páscoa. Esse turista imaginário ainda preferiu trazer a estátua de tamanho menor, com  cerca de 2 metros. Alguns  moais chegam a 20 metros de altura. Hipoteticamente, se os Rapa Nui, os tradicionais moradores da Ilha de Páscoa,  permitissem que isso acontecesse, em breve, esse museu a céu aberto deixaria de existir. Se cada um dos turistas que já visitaram as pirâmides do Egito, pudessem  trazer um bloco, as monumentais construções também desapareceriam. Imagine se fosse possível comprar uma múmia, por incrível que pareça, no passado,  algumas múmias foram compradas  por Dom Pedro I, e ele não precisou ir ao Egito, em 1826, adquiriu as relíquias do antigo Egito, expostas no Museu Real, no Rio de Janeiro, pelo comerciante, Gustave Annce.  A coleção se tornou  a maior  da América Latina. Graças ao desejo de Dom Pedro II  de manter o sarcófago fechado,  a múmia ficou preservada, sendo possível estudá-la com detalhes,  usando à tomografia computadorizada. Muitas das múmias existentes tiveram os corpos destruídos, quando foram desenfaixadas na tentativa de estudá-las.  A tomografia revelou que houve um enchimento de tecido e resina na garganta, esse cuidado especial significaria que a múmia, quando viva, teria sido cantora, tal cuidado na região da garganta, durante a mumificação, teria como objetivo que ela pudesse continuar exercendo o dom de cantar na suposta vida depois da morte, segundo o sistema de crenças do povo egípcio. Será que todas as antiguidades e relíquias egípcias, mesmo as compradas legalmente, não deveriam ser devolvidas ao Egito?.  É uma grande discussão, mas para  quem pensava que os ladrões de túmulos, profanadores de tumbas, deixaram de existir, no ano passado, eles atacaram o Museu Nacional Malavi, em Minya, no Egito, roubando mais de mil objetos, para o espanto da arqueóloga Monica Hanna, que presenciou a corrida desesperada dos modernos ladrões de túmulos, em pleno museu. Ela tuitou pedindo ajuda, isso a fez ganhar um prêmio por usar as redes sociais para denunciar o roubo e, ao mesmo tempo, inibir a comercialização ilegal das relíquias roubadas, alertando para o muito inteiro a ilegalidade das relíquias, para quem pensar em comprá-las . Além do roubo, escavações não autorizadas continuam a ser feitas pela região, até com uso de dinamite para causar explosões. Dinamite também está sendo usada no Brasil, não apenas nas pedreiras, mas para explodir caixas eletrônicos de agências bancárias.  Recentemente,  ainda no Brasil, vários fósseis foram recuperados, o comércio ilegal de fósseis é crime no Brasil. Infelizmente,  não apenas os animais e plantas mortos e incrustados nas  pedras, há bilhões de anos,  são vítimas de comércio ilegal, os vivos e ameaçados de extinção também. O comércio ilegal de fósseis, a biopirataria e o tráfico de animais silvestres deixam evidente a perversidade e a ganância de alguns humanos, que não são as estátuas moais, mas tem um coração de pedra.